Tristeza, um dos sentimos mais humanos e primários e atualmente mais do que nunca não nos permitimos estar tristes. Por qual motivo fomos bloqueando o sentir da tristeza? O que nos faz fugir ao invés de sentir? Porque nos dá vergonha, nos sentimos diminuídos ao dizer: hoje eu estou triste, hoje o ar não entra no peito, a comida não desce, o corpo fica inerte e eu só quero chorar.
A gente vive numa sociedade normativa, que nos seduz e hipnotiza com o imperativo da performance “quanto mais e melhor”,“ se você quer, você consegue”, “tem que ser forte”, “o céu é o limite”, “o tempo é dinheiro”, “chorar é para os fracos” … tudo empurrando ao individualismo e paradoxalmente à tristeza.
Constantemente queremos nos corrigir, seja esteticamente, através da sobrevalorização da imagem, seja anestesiando o nosso próprio corpo com drogas licitas ou ilícitas, comida, compras, entretinimento .. e quase nunca: parar e sentir.
E por qual motivo a psicologia defende o sentir da tristeza? Porque a tristeza sinaliza um mal circuito do pulsar da vida, algo não vai bem, alguma parte em nós dói e a dor só passa se a gente passa por ela, eis o sentido da dor!
Os números crescentes de transtornos e distúrbios psicológicos estão comprovando a contradição entre a felicidade vendida e a tristeza não sentida. Não podemos mais confundir superação com distração, abafar a dor só deixa ela mais forte e iminentemente explosiva, deixando sérias sequelas no nosso psiquismo, no nosso corpo e nas nossas relações.
Os perigos de não querer saber de si são inúmeros: cronificação do vazio existencial, transformando a tristeza em depressão; anestesia emocional, fugir do sentir para não sofrer; endurecimento psíquico, perder a sensibilidade com a vida; repetição automática de escolhas, que só reforçam o mal estar; afastamento de si, o que gera sensação de autoabandono; relações vazias, pois tem medo de se entregar; somatizações, o que a boca não fala, o corpo entrega; crescimento punitivo, maior autocobrança e sensação de culpa; desconexão do corpo, vive apenas no pensamento; fuga constante de si, trabalho excessivo, distrações.
Dói ouvir a nossa dor, mas a dor é muito maior quando a vida não tem mais vida.
A psicoterapia ajuda a desenvolver uma maior sensibilidade com o que de fato importa, lhe dá a mão para encarar e aprender a questionar o que dói, lhe proporciona meios para se (re)descobrir e fortalecer a sua singularidade.
“Dai palavras à dor: a tristeza quando não fala, murmura no coração que não suporta mais até que o quebra.” William Shakespeare