É sempre bom lembrar que sentir ansiedade é natural de todo ser humano. Contudo, o nosso momento atual merece atenção, pois faz uma patologização dos nossos afetos mais intrínsecos, sendo estes tratados em muitos casos como transtornos mentais, havendo uma medicalização excessiva e por conseguinte o apagamento da dimensão subjetiva do sofrimento. Por tanto, cabe a você a responsabilidade de olhar para sua forma de sentir ansiedade e entender se atrapalha a sua vida ou não.
Etimologicamente, ansiedade vem do latim “anxietas”, cujo significado é “estado de angústia”, “aperto no peito”. Popularmente, se entende que ansiedade é “excesso de futuro” e angústia seria “excesso de passado”.
Psicologicamente, é um pouco mais complexo, quando disfuncional, a forma como manifestamos a ansiedade e lidamos com ela, vem de uma falha estrutural, uma ruptura simbólica que deixou um nó no nosso desenvolvimento primário (do passado).
Se chegou até aqui, já deve ter percebido a profundidade do assunto, mesmo que o comportamento manifesta seja no presente, para o futuro (na maioria das vezes sem um motivo aparente) para entendermos o que faz a pessoa entrar em uma crise de pânico “do nada” é preciso parar e se perguntar: de onde vem essa dor que emerge? o que faz estremecer minha base estrutural? o que falta em mim que me deixa inseguro a tão nível? por qual motivo o medo invade ao ponto de sentir me desintegrar a qualquer momento?
Percebe como a dor é muito mais antiga do que a mera explicação: é o stress, é o trabalho… é o momento de se perguntar: por que não quero parar? o que eu sinto quando paro? qual é o meu medo? A correria de “ter que dar conta de tudo”, esconde uma pergunta, qual é a sua?
Entenda, enquanto não parar para sentir, você só vai ficar mais cansado, a inquietude interior vai continuar queimando o seu peito, as reuniões vão seguir infinitas, os resultados a cada vez mais inalcançáveis, a sua insatisfação continuará lhe atormentando, inclusive em casa com a sua família.
Enquanto você não se debruçar a falar sobre a sua falta ou sobre o que acha que faltou na sua vida, o corpo vai falar por você, a sua memória vai se expressar por você, e você vai continuar se abandonando, se maltrando, se culpando.. querendo controlar o mundo, antes de controlar a própria dor.
Entender a causa do seu sofrimento, possibilita nomear, ou seja, dar um sentido e por conseguinte, mudar o padrão.
Victor Frankl dizia que o sofrimento sem sentido é insuportável, quem melhor para entender esta frase do que a pessoa ansiosa qual não se permite dar nome para aquilo que sente, de tão focada em continuar prevendo, controlando, acumulando … na tentativa de preencher um vazio em um cenário cheio.
A ansiedade escolhe pessoas fortes e determinadas, use esses recursos ao seu favor, foca a sua hiper vigilância para dentro de si, o primeiro pensamento que surgir lhe indicará por onde começar e claro, a ajuda psicológica certamente seria uma das opções.