É preciso sofrer para amadurecer? Parece cruel, mas quase sempre sim. Se um desenvolvimento forte na maior parte das vezes vem do sofrimento e dos conflitos, então ele educa, ou melhor dito, ele esculpe, a nossa maior obra prima, nós mesmos.
O processo de criação de uma escultura requer pancadas, quebras… retirada de material desnecessário, até aparecer o esplendor da obra de arte, a nossa essência. Da mesma maneira, encarar o sofrimento dá a possibilidade de se encontrar, de (re)nascer, através
Da perda que ensina a chorar.
Do silêncio que fala.
Da angústia que obriga a se questionar.
Das quedas que arrancam as ilusões.
Do desamparo que fortalece.
Da falta que mobiliza o desejo.
É no atrito com a realidade que o espirito se lapida, com as escolhas feitas na dor, com as responsabilidades assumidas, sem atalhos, apenas o trabalho paciente de se tornar quem de fato você é.
Atravessando os conflitos, aprendemos, que é no enfrentamento das dificuldades, no suportar da tensão, no sentir da dor.. negociando, remodelando, ressignificando.. que surge a nossa confiança, como escolha dos nossos atos.
A vida se faz mestre pela dor, a dor revela limites e capacidades, expõe fragilidades, mas também fortalezas e dá a possibilidade de transformar as feridas em um cobertor que abriga e organiza, em consciência. As experiências em si não adoecem, mas as respostas a essas experiências que adoecem. Por tanto, se permita ser atravessado pela dor do sofrimento, pois o que atravessa, modifica.
A vida, quando escapa das nossas mãos, também ensina!
“Perder-se também é caminho.” C. Lispector