Em algumas casas, o fim de ano é motivo de celebração, em outras, é um período de muita angústia e um tanto de não sentido.
Nem somente os que não tiveram uma boa infância, família unida ou um ambiente acolhedor podem sentir um estranho sentimento de tristeza, pois, qual seria o sentimento mais natural para os fins de ciclo?
O fim traz a nostalgia das lembranças, traz promessas não cumpridas, traz metas inalcançadas, traz o apego das expectativas, traz o luto, traz a falta! Ao acabar o ano, também aos poucos acaba a vida, será esse medo que nos deixa nostalgicamente reflexivos e no fundo desolados? Fim de ano, fim de vida… ao que esse pensamento convoca?
Temos a vida que queríamos, somos honestos com nós mesmos e com os nossos desejos, estamos vivendo a nossa própria vida? O fim, realça a dor do não ser, é aqui que um pode perder-se de si mesmo, ao abrir mão de quem realmente se é. Você sabe de fato quem você é? Você sustenta o brilho da sua essência ou vive em repetições, modelos sociais e ideais inalcançáveis?
Dezembro, mês do fim e curiosamente o mês que mais nos coloca no presente, escancarando com um certo prazer o que não conseguimos resolver, a saudade que ainda machuca, o vazio das relações, a vitalidade diminuída do corpo, o que ainda honramos mesmo não tendo mais sentido … ausências, silêncios … as coisas terminam devagar, sentindo na alma o eco de todos os restos que ainda não nomeamos.
A vida mais uma vez se faz soberana, nos fazendo ver que para continuar é preciso deixar acabar. O fim não é só um encerramento, é também transformação, é possibilidade para uma nova reconfiguração, talvez com uma única condição: ser fiel a si mesmo com entusiasmo e coragem para fazer a vida valer a pena.
Ninguém ensina como pôr fim sem se perder ou se despedir sem chorar, mas enquanto há vida há movimento, enquanto há movimento há possibilidade e enquanto há possibilidade há futuro, e enquanto há futuro, há o novo!
Para um novo com singularidade e coragem!
Para uma vida vivida!