Fim de ano,
O ano está se acabando e o tempo ganha uma densidade estranha, entre a excitação e a indiferença beira uma nostalgia que se faz amarga.
Porque somos mais sensíveis nesta época do ano?
Talvez por se fazer mais óbvia a passagem do tempo, a chegada da nossa finitude. Talvez por não ter conseguido realizar nossas idealizações. Talvez por pura saudade. Talvez por não conseguir tomar uma decisão com qual há anos se atormenta. Talvez por não conseguir se desvencilhar da dor de um luto. Talvez por solidão. Talvez …
Cada um vai saber da sua dor, contudo seja qual for a sua razão, o fim do ano é uma época que convoca a entrar em contato com mais facilidade com os nossos afetos, com as nossas representações simbólicas, com nosso próprio lugar emocional. Cada um terá os próprios porquês, mas o que não escapa ao nosso olhar clinico de psicólogas, é que estar nesses desencontros pode propiciar muita angustia, tristeza, melancolia, frustração, ansiedade, solidão, inclusive até um quadro depressivo e é desse especifico tempo que nós, como psicólogas queremos lhe falar.
Tal como você, o tempo é singular, o tempo do calendário ou o tempo do relógio não coincide com o tempo que há dentro de cada um de nós. O tempo do mundo, não coincide com o tempo interno.
A sociedade atual apresenta muitas normas, muitas condutas, é fácil se perder na cobrança, na comparação, no autoengano. O que fazer para acolher nosso mundo interior e ao mesmo tempo viver no mundo exterior?
Dar mais crédito a nós mesmos, a nossa capacidade de mudar, treinar a persistência para não desistir e tampouco protelar a nossa transformação. Exercer o olhar critico de perceber o mundo, cultivar a sensibilidade para consigo mesmo e para com o outro, encorajar a nossa subjetividade, apostar no único tempo que vale, tempo subjetivo! Isso ajuda a separar o que é seu do que é do outro, faz aceitar as suas possibilidades e limites, deixando entusiasmo para viver um pouco melhor.
Ser amável e gentil conosco, aceitar que foi isso o que deu para fazer, agora a questão é: e daqui para frente? O que fazer do tempo? Deixar ele ser o nosso vilão ou aliado para o nosso desenvolvimento?
O tempo não apaga a dor, mas o trato pela palavra faz sofrer menos e viver mais. A psicoterapia pode ajudar a ter paz e leveza no tempo, no seu próprio tempo.
Tempo de se reformar por dentro.
(Re)começar!
“Aprendi a ser o máximo possível de mim mesmo.” Nelson Rodrigues